sábado, 15 de junho de 2013

O MEU PALCO



No circo da vida
Ensaiei um número a minha medida.

 
Voei para os braços da razão
Fiz piruetas no trapézio da paixão.

 
Acalentei sonhos e alimentei a fantasia
Fintei a vida quando ela contra mim corria.

 
Vesti o fato de palhaço
Representei o papel de homem de aço.

 
Tão forte, e tão frágil
Perante as adversidades fiz-me ágil.

 
Estive no arame da vida
Fazendo malabarismo
Aprendi a dar valor ao verdadeiro altruísmo.

 
Domei as feras
Tornei-me forte, corri a abraçar as minhas quimeras.

 
Fiz rir e chorar a plateia
Afinal, tudo isto não passa, da vivência da minha epopeia!

 

DIOGO_MAR

SOLUÇANDO



Aos pés do mundo me deitei
Procurando o tudo que já amei

 
Amei o perto e o além
Hoje sinto-me pó cinza e ninguém.

 
Este ninguém que se perde neste verso
Que jaz nos braços do universo.

 
Universo ferido de morte
Tens o futuro anunciado as mãos da morte.

 
Morte clandestina e sem rosto
Trespassas o meu peito num lancinante golpe de desgosto.

 
Desgosto embriagado de loucura
Vestiste a minha vida com a cor da amargura.

 
Amargura que dizima o meu ser.
Chega, quero gritar!
Eu quero viver!

 

 DIOGO_MAR

terça-feira, 4 de junho de 2013

LIXO HUMANO



Sempre fui dado a princípios, que os meus Pais me incutiram.

Ainda hoje sigo e não abdico desse trilho, perdido e adulterado por muita gente, que de uma forma selvática violentam e a trucidam todos esses valores.

Não consigo entender, o galdi-o infame do ser humano que permite e alimenta essa conduta de vida.

Mas pergunto eu, isso é vida?

Não consigo conceber, a vida vivida num pântano lamacento, de mentira covardia e indiferença.

Abro a janela do tempo para dentro de mim, e coabito com aqueles que fazem parte da minha vivência de uma forma íntegra e vertical.

Presando pelos seus princípios de homem no sentido lato do que é efetivamente ser homem.

E devo dizer-vos, que já começa a rarear essa qualidade impar, de ser Homem.

Ainda lembro da frase que tantas vezes ouvia proferir.

A palavra vale mais que o dinheiro.

Hoje, já nada é assim, o dinheiro compra tudo, até mesmo como dizia a minha avó, as almas.

A fome desenfreada por atingir o sucesso seja lá a que preço for, quer numa carreira profissional quer no status social, fez o ser humano entrar em queda libre.

Tudo e todos se atropelam, cilindra-se o amigo para poder atingir os objetivos.

O exibicionismo pessoal, ostentando as marcas dá protagonismo.

A prostituição de carater e personalidade, e porque não dizê-lo física, eleva ao topo da carreira profissional e aos píncaros da fama.

Uma autêntica passerelle de verdadeiros jogos de interesses.

O que mais me preocupa, são os filhos nascidos destes Pais que nunca souberam educar, porque também eles apagaram os valores que lhes foram incutidos.

Tudo pela fatura do materialismo implacável.

Por tudo isto temos uma geração criada numa redoma de vidro, autenticas flores de estufa, regadas e alindadas para o mundo.

Pena é que seja para um mundo artificial onde pontifica a vaidade egocêntrica de um aparato podre.

Estes são os futuros homens e mulheres do amanhã, de um mundo egoísta onde já não cabem os valores.

De resto, já nem sabem o que isso é!

 

DIOGO_MAR

quinta-feira, 30 de maio de 2013

O DOURO AOS MEUS PÉS



Eu aqui debruçado na varanda do tempo
Repousando o meu olhar no horizonte, rebuscando na minha memória aquele momento.

 
Momento esse, que me transporta nos braços da magia
Percorro a estrada do meu pensamento
Bebendo o trago mais profundo da alegria

 
Alegria muitas vezes de aparato
Como de uma peça se tratasse, que ao ator lhe tenham trocado o ato.

 
Embriago os meus olhos nesta paisagem tão frondosa
Neste Douro de lágrimas e suor
Labutas noite e dia,
Como se foces filho de um Deus menor.

 
Ó natureza em anfiteatro
Tricotada de múltiplas flores
És banhada por um rio, que me traz notícias dos meus amores.

 
Notícias doces e agrestes
Servidas neste cálice de uma cúmplice aliança
Tenho os meus olhos rasos de água, por quase perder a esperança.

 
Quero fazer um brinde a vida, com o néctar
Que esta terra me oferece
Quero bordar neste vale, as palavras da minha prece.

 
Ó Douro, terno e agreste
Altar da minha vida
Não me canso de te amar, sem conta e sem medida.

 
Que loucura sadia, e que tanto gosto
Serpenteio os teus caminhos íngremes, inalando este mosto.

 
Ó Douro vinhateiro, de candura inigualável
Arrebatas o meu coração, de orgulho e encanto
Nesta beleza única e inestimável!

 

 
DIOGO_MAR

terça-feira, 28 de maio de 2013

INDEFINIÇÃO



O quanto eu queria dizer sim
Ter coragem de não mentir para mim.

 
O quanto queria dizer não
A toda esta indefinição.

 
O quanto eu dava, para ser um todo verdadeiro!
Não ficar pela metade
E amar-te de corpo inteiro.

 
Fintei as palavras e os sentimentos
Encerro em mim o fervor dos nossos ternos e envergonhados momentos.

 
Momentos puros e espontâneos
Ao encontro dos nossos ideais
Histórias tão nossas, vividas com tanta intensidade
Que não queríamos que acabassem mais!

 
Eu vou dizer sim
Antes que seja tarde
Se esperas por mim
O o meu peito por ti arde.

 
Quero iluminar a minha vida
Ser a tua luz incandescente
Fazer de ti meu canteiro
Eu?
Ser a tua semente!

 

 
DIOGO_MAR

segunda-feira, 27 de maio de 2013

A PROCURA DE MIM



Repouso o meu olhar no horizonte
Nessa cama feita de tempo
Não sei do que fujo
Nem do que me tento.

 
Procuro estar onde não estou
Procuro ver o que não vejo
Procuro saciar a minha sede
Ó?
Estou faminto desse leito de desejo!

 
Quero alagar os meus olhos de alegria
Quero enchê-los de ternura
Quero fazer da noite dia
Estou exausto, de sangrar lágrimas de amargura.

 
Meu Coração vadio
Dado as ilusões
Não falseis a verdade
Nem dês guarida as mentiras que misturas com razões

 
Para onde queres tu fugir
Entregue a tua sorte
Ladeias o universo
Em busca do teu norte!

 

 
DIOGO_MAR

quinta-feira, 23 de maio de 2013

A CASA DO ALÉM



Afinal perguntas tu, quem sou eu?
Eu tu, ou ninguém?
Procuro a minha identidade perdida pela cidade,
Em busca da sua essência.
Afinal este meu estado leva-me a relutância.
A relutância de não saber de mim,
Procurando incessantemente sem ver o fim.


Onde estou?
Para onde vou?
Perdido na bruma da manhã fria e gelada,
Será que a minha identidade vem numa montada alada?


Será que calcorreia os caminhos da razão,
Ou será que eu próprio traio o coração.


Quero a minha identidade, perdida pela idade,
Idade intemporal da vida, devida vivida e enganadora.
Quero guardá-la numa profunda cumplicidade arrebatadora.


Por isso vida, não brinques comigo,
Ao jogo do esconde esconde.
Eu vou sempre amar-te com a mesma intensidade,
Que percorre a minha idade.


Tu que vens da casa do além,
Sem seres porta-voz de ninguém,
Sem teres passaporte
Não sei o teu ponto cardial,
Se sul, ou norte.


Apenas sei que existes, lá longe no além.
Eu aqui humildemente
Sou eu? Tu?
Ou ninguém!

 

Diogo_Mar