sábado, 11 de abril de 2015

UM DIA NA FEIRA HISTÓRIA_14



Um dos meus roteiros preferidos, era ir a feira com os meus Pais.

Gostava de respirar aquele ar, carregado de múltiplos aromas.

Juntando a tudo isto, toda a variedade de produtos, bem como o colorido e pregões que se ouviam, misturados com conversas fragmentadas, e saudações efusivas e calorosas, emprestava-lhe uma grande singularidade.

Era o ponto de encontro de gerações oriundas de várias paragens do concelho, de todos os estratos sociais.

Nós já estávamos familiarizados com os feirantes, e os artigos que vendiam.

Claro está que eu tinha uma grande preferência pela dona Carlota, que vendia uns doces caseiros maravilhosos.

Era uma personagem pitoresca.

Gordinha, faces rosadas, olhar terno, vestia um avental de cores garridas bem alegres, com um grande bolso onde estava bordado (Doces da Carlota).

Além de simpática, nutria por mim um carinho muito especial, vá-se lá saber porquê!

Era dotada de uma longa e farfalhuda bigodaça que fazia inveja a muitos homens.

Eu que nunca fui dado a beijos, naquele momento sentia-me feliz por tal facto, pois não gostaria nada de me sentir beijado por uma boca encaixilhada em tão másculo bigode.

 

Ó meu amor, estou a pôr dois bolinhos a mais para comeres na viagem.

 

Não o estrague com mimos dona Carlota, disse a minha Mãe sorrindo.

 

A agora!

Uma coisa tão bonita tem de ser mimada.

Só é pena que seja por uma velhota.

Não é Diogo?

 

Corei e sorrindo agradeci-lhe.

 

De nada meu amor, dei porque quis.

Voltem sempre, gosto de saber que estão bem.

 

Seguimos viajem, a lambuzar-me com um daqueles bolos deliciosos.

Os meus Pais olhavam para mim e riam.

O que foi?

 

Diogo, limpa a boca e o nariz. Já tens farinha do bolo por todo o lado.

 

Comia com tanto entusiasmo, que o meu Pai gracejou dizendo:

 

É pá, até parece que não comes há 15 dias!

 

Pois, mas o que é doce nunca amargou, não é filho?

 

Respondeu-lhe a minha Mãe.

 

O meu Pai acercou-se da barraca do Claudino, mais conhecido por spock, já que as suas orelhas eram avantajadas.

Ele vendia sementes e utensílios diversos para jardinagem.

 

Diogo, não (bulas) mechas nisso, podes-te cortar na lâmina, recomendou-me ele.

 

Íamos caminhando a desfrutar da magia de toda aquela panóplia de produtos, cheiros e pregões.

 

Ó freguesia, olhem calças, é (pró) para menino, e (prá) para menina!

Ó riqueza, não quer calças para o menino?

São da moda!

Olha que calças bonitas meu amor!

Não gostas?

Tenho mais modelos!

E são de marca!

 

Não, obrigado não quero.

 

Hoje não, acrescentou a minha Mãe.

 

A dona Natália valia-se dos seus dotes vocais para se fazer ouvir.

Ó freguesia!

Olhem o (pijame) pijama barato, para ter sonhos cor-de-rosa!

 

Achava piada ao tratamento dos feirantes para com os clientes.

Ó riqueza, ou ó meu amor.

As vozes misturavam-se com o megafone do Sr. Augusto que leiloava jogos de cama, e atoalhados.

 

Quem dá mais?

É a última oportunidade.
Ninguém dá mais?
Fica para aquele cavalheiro.


Depois tínhamos a banca do Sr. Jorge que vendia cassetes e cds com uma enorme variedade de estilos musicais.

 

Olhe!

Ó senhor!
Tá a ouvir!

(Bote) coloque a tocar o Quim Barreiros!


Sugeria uma transeunte.
Era um barulho diversificado, mas ao mesmo tempo agradável, pela beleza que emprestava ao recinto da feira.

Naqueles dias a vila ganhava outra vida, tinha um bulício que em circunstâncias normais não acontecia.

Estávamos nós a passar junto dos vendedores de galinhas, quando uma delas fugiu, esvoaçando em direção a uma senhora assustando-a, que por sua vez, me abalroou.

Quase me deitava por terra.

Agrediu-me com os seus longos e avantajados seios.

 

Magoei-te?


Não!


Desculpa meu amor!
Diabos levem a galinha!

 

Não faz mal, disse eu, a recompor-me daquele episódio.

Olhei para os meus Pais que disfarçadamente riam, a bom rir, principalmente o meu Pai.

 

Tem uma piada?

O meu desabafo ainda estimulou mais as gargalhadas do meu Pai.

 

Deixa lá filho, já passou, dizia a minha Mãe, ao ver-me com uma expressão de aborrecido, e envergonhado.

 

Aqueles personagens de aventais coloridos e a irradiar alegria exerciam sobre nós um verdadeiro contágio, ao qual não podíamos ficar indiferentes.

Os meus Pais lá foram comprando os artigos que precisavam, cujos preços fossem convidativos.

Eles sabiam regatear com os vendedores o custo dos produtos que pretendiam adquirir.

Principalmente a minha Mãe que esgrimia todos os argumentos para poder comprar o mais barato possível.

Estava ali bem patente o instinto de dona de casa, saber gerir é uma virtude, e a minha Mãe tem-na.

Entre saudações do meu Pai a várias pessoas, já que era bastante conhecido na vila, bem como a minha Mãe, eu, também ia encontrando colegas de escola, e até mesmo professores e funcionários.

A feira, não há dúvida, que mais se assemelha a uma peça de teatro, onde os atores são os vendedores, e nós os figurantes.

É um local de convívio e de alegria, assente na mais perfeita reciprocidade de quem vende, e quem compra!

 

DIOGO_MAR 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

BULLYING


 
A quem servir a carapuça!

 

Quero desde já chamar a atenção para o tipo de linguagem pouco ortodoxa que vou ter ao longo deste meu post.

 

Estamos expostos e porque não dizê-lo, a um tipo de sociedade aglutinadora de princípios, rótulos e tradições a caírem de podres.

Empunhamos a bandeira da tolerância e da igualdade, quando no fundo somos os primeiros a apontar o dedo acusatório.

Tanta hipocrisia!

Admiro a coragem e a frontalidade com que alguns exibem o seu direito a diferença, correndo graves riscos de bullying.

A descriminação e o preconceito são parentes desta postura execrável e inqualificável, características de um povo homofóbico, culturalmente atrasado, empedernido de fundamentos tradicionalistas jacobinos.

O bullying, não se circunscreve só a agressão física, vai muito mais além.

Coação psicológica, tortura, insulto, marginalização, humilhação, violência, no sentido lato da palavra e do seu significado.

Estas atitudes premeditadas e intencionais reiteradas, têm provocado muitas vítimas, algumas levando-as ao suicídio.

 

Mais uma vida ceifada, desta vez, foi um jovem militar de 23 anos, que se suicidou, por enforcamento, na base aérea de Beja, vítima de bullying.

Motivo: a sua homossexualidade, alvo de chacota constante, era frequentemente insultado e perseguido por outros militares, pelos seus maneirismos femininos.

 

Outro caso foi o Nelson Antunes, de 15 anos encontrado sem vida na sua casa, aluno de uma escola de Braga.

Ele já ventilava a hipótese de um dia desistir.

 

Já esqueceram a morte do Leandro de 12 anos da escola de Mirandela, que se lançou ao rio Tua?

E de muitos outros que não chegam a ser noticia, mas que sofrem em silêncio, às mãos desses covardes.

Estes dejetos transformados gente coabitam as nossas escolas, quarteis, empresas, bairros cidades e alarvemente passeiam-se defecando lavercas ridículas de tanta futilidade e banalidade pelas redes sociais.

Devem ter o circuito intestinal invertido, daí quando abrem a boca só dizem bacoradas.

São indivíduos, que carregam a herança da falta de educação que os Papás nunca lhes souberam ministrar.

Porque infelizmente, também eles não foram nem são educados.

Mas atenção:

Este fenómeno, é transversal e abrangente a todas as classes sociais.

Mas vamos lá ao cerne da questão:

Sim porque o mal corta-se pela raiz não é?

Então comecemos por esses putos que ainda borram as cuecas, que não são mais que lixo social, têm de ser banidos das nossas escolas, sob o perigo destes execráveis quadros continuarem a proliferar, como infelizmente temos constatado.

Não me venham com a ladainha da exclusão social, e coitadinhos são jovens à procura de lhes ser dada uma oportunidade.

Este tipo de discurso, que mascara a realidade, coloca os infratores, num pedestal protetor, transmitindo-nos a ideia, que as vítimas, é que são o foco do problema.

Se houve uma geração que teve todas as oportunidades foi a destes putos de merda.

Sempre tiveram tudo, menos o que de mais importante deviam ter tido:

Educação e valores, mas para esses Papás, foi mais fácil comprar os filhos, num hino ao materialismo exacerbado.

Chega.

Os (Manos) tal como se tratam, orgulham-se das tristes e ridículas figuras que fazem, telemóveis com música aos berros, as patas em cima dos bancos, tudo isto acompanhado por olhares provocatórios, não têm pejo, em Delapidarem o património público, nem de maltratar e agredirem os mais velhos.

O elevado grau de grunhice São uma ameaça constante aos que têm a coragem de lhes dizer, eu não vou por aí.

Metam-nos em Instituições de correção, façam-nos trabalhar, para terem a devida noção do que é a vida, bem como respeitar o seu semelhante, já que os energúmenos dos Paizinhos deles, não lhes ensinaram.

Estes vermes da sociedade, autênticos CRIMINOSOS, já que em casa não tem quem os eduque, pois bem: Não sou eu, nem os meus filhos, que tem de levar com estes ANIMAIS, e muito menos pagar a fatura da desarticulação familiar, destes fedelhos.

Se for confrontado, com uma situação dessas, vos garanto que terão o troco adequado, aos atos praticados.

Mas de tal forma, que tenho a certeza absoluta, que não reincidirão com os meus.

Depois que venham as bestas dos Papás deles, feitos vítimas, escudados pelas organizações que defendem esta estirpe, para a praça publica lamentarem-se.

A psicologia a ter com estes delinquentes, de cabeça de merda e materialistas compulsivos, têm de ser tratamento de choque, já não suporto tanta demagogia saloia, vamos ser pragmáticos e objetivos.

Menos gabinete e mais trabalho de campo e celeridade e condenação dos prevaricadores.

Escondem-se por de traz da capa de criancinhas, ou adolescentes inimputáveis só para o que lhes dá jeito.

No entanto, sabem adotar uma dualidade de critérios, de acordo com o que lhes for mais favorável.

Pura matreirice.

Cresçam mentalmente, putos plásticos desprovidos de valores e sem objetivos na vida, a não ser: Álcool, sexo e drogas, que infelizmente, nunca estiveram tão disponíveis como agora.

E vai ser esta CORJA, os futuros Homens do amanhã?

É para estes seres fúteis banais e execráveis, esta gunada, que contribuo com os meus impostos?

Eu também tenho que manter insurretos e marginais, e subsidiar este lixo humano?

Chega basta, de psicologia bacoca, de comissões de estudo do bullying, para no fim, a montanha parir um rato.

Pobre País este onde a culpa morre sempre solteira, e a justiça protege os MARGINAIS E OS DELINQUENTES.

 

DIOGO_MAR

domingo, 22 de março de 2015

A DECOMPOSIÇÃO DOS TEMPOS



Estamos coagidos pela leviandade do garrote da letargia, que acorrenta a nossa dignidade e nos asfixia.

Alugamo-nos, vendemo-nos, prostituímo-nos.

Entramos em decomposição, vergados ao jugo avaro e subversivo do materialismo.

Perdemos e vendemos a nossa identidade, tornando-a impercetível, enclausurando-a numa objetividade subjetiva.

A artificialidade, de carater e personalidade, mergulha-nos num marasmo hipócrita, de definições indefinidas, corrompidas de forma avulsa, na fonte da humilhação.

Uma travessia inquinada a diluir-se, em falsos moralismos, medos e preconceitos, a definhar numa racionalidade superficial e bolorenta.

A dignidade, agoniza num brinde imolado, em páginas lúgubres.

Urge a necessidade, de um núcleo de lucidez, ávido pela exaltação da liberdade emancipadora, preconizada por uma fruição assente no mais puro altruísmo.

A chave para a vitória, reside na derrota da ignorância.

 

DIOGO_MAR

terça-feira, 17 de março de 2015

GESTOS SIMPLES E PEQUENOS HISTÓRIA_13



Aquela manhã acordou sob um sol esplendoroso.

Estávamos pelos meados do mês de Março.

Da janela de sacada do meu quarto, onde muitas vezes me sento a ler, disfrutava de um quadro paisagístico privilegiado, para o Douro vinhateiro, mas que nesta altura nos oferecia um outro espetáculo, de uma beleza inigualável.

São as amendoeiras e cerejeiras em flor.

Tricotavam as encostas emprestando-lhe uma beleza húmica, um senário deslumbrante.

A minha casa ou paraíso como lhe chamava o meu Pai, ficava sobranceira à margem direita do rio Douro, estávamos em pleno coração da zona demarcada do vinho do Porto, património da humanidade, e a região vinícola demarcada, mais antiga do mundo, decretada pelo Marquês de Pombal em 1756 sublimemente escrita e retratada por Miguel Torga.

Acordei com um doce e terno beijinho da minha Mãe, sussurrando-me.

 

Acorda Filho!

Diogo?

Vá, acorda!

Anda daí, meu preguiçoso!

 

Olá Mãe, bom dia.

Esfreguei os olhos, preguicei um pouco e saltei da cama.

Acerquei-me da janela e olhei, para aquele anfiteatro de beleza única!

O vale de todos os encantos, onde o rio douro, finta e brinca as escondidinhas com as serras.

Já era um ritual diário.

Não há dúvida, que era a melhor forma de começar o dia!

A minha mãe, tinha de véspera combinado comigo, ir a vila, para comprar uns ténis e dois pares de calças, já que o meu crescimento assim o obrigava.

Vesti-me num ápice, e quando desci para tomar o pequeno-almoço já ela estava na cozinha, a dar andamento a nossa primeira refeição do dia.

Dei-lhe o um beijo, ela retribuiu-me, dizendo.

 

Olá Dioguinho, bom dia. Dormiste bem filho?

Pelo menos a avaliar pelos teus olhitos parece que sim.

 

Deixei escapar um bocejo, retardatário.

Dormi bem sim Mãe.

Que motivos havia eu de ter com 13 anos para não dormir bem?

Ainda não tinha entrado no mundo a que os meus Pais chamam de selva.

 

Bom, Diogo, vamos lá despacha-te porque ainda tenho de ir trabalhar.

 

Eu tinha uma boa relação com a minha mãe, aliás com os meus pais.

Por vezes lá surgiam laivos de infantilidade, coisa normal da minha tenra idade.

Estava feliz, gostava de fazer compras, e sabia que além dos ténis e das calças, em algo mais podia ser presenteado.

Dessa forma, podia oferecer ao Rodrigo, o irmão que eu não tinha, toda a roupa que não se compadeceu, com o meu desenvolvimento físico.

Era sempre assim.

Passava de mim para ele.

Os meus Pais e Padrinhos do Rodrigo, tudo faziam por ele.

Na aldeia havia um espirito solidário, para com aqueles que viviam com mais dificuldades económicas.

Outra alternativa, era dar a comissão fabriqueira da nossa igreja, para que depois procedessem à sua distribuição por famílias carenciadas.

Atravessamos o jardim fronteiriço da minha casa, com a escolta do Dique, o meu cãozarrão, presenteando-o com um biscoito e uma carícia.

A minha Mãe, fez-se a estrada que nos havia de levar até a vila.

Durante a viagem, lá me foi dando alguns conselhos, em relação ao comportamento e aproveitamento na escola, que tem sido exemplar, alertando-me, para o meu futuro, que está em jogo.

Chegados, presenteou-me com um pastel de nata que sou grande apreciador.

Lá fui eu, lambuzando-me pelo caminho, até entrar-mos no pronto-a-vestir.

Eramos bons e habituais clientes.

Fomos recebidos, com saudações efusivas, da parte da Dona Fernanda, proprietária da loja.

Inevitavelmente, insidio sobre mim, os comentários e as perguntas.

 

Olá Diogo, estás grande e supere bonito!

Que olhos lindos!

Não te devem faltar raparigas a traz de ti!

Eu imagino!

Já namoras?

Quem é a sortuda?

Não me importava nada que fosse a minha filha.

Estás um homem!

 

Nunca entendi muito bem esse comentário, porque acho que nunca fui mulher lol.

Agradeci-lhe, mas não gosto nada de me ver naquele papel de cabeça de cartaz.

E muito menos namorar com a filha dela, miúda chata, e sem assunto.

Muito básica.

Pior ainda foi quando corei, e ela riu de mim, e sublinhou tudo aquilo que já tinha dito.

Por favor tirem-me deste filme!

A minha Mãe, sabendo que eu me estava a sentir confrangido, abreviou a conversa dizendo, que estava com alguma pressa e até estava mesmo, já que ainda ia trabalhar.

Mas foi ótimo, já que a nossa tarefa avançou de forma bem célere.

Reconheço que também nunca tive pachorra para perder muito tempo a fazer compras.

Acho que as lojas, devem ser local de visita, para adquirirmos o que necessitamos, e não estar ali a fazer sala.

Lá escolhi os dois pares de calças, que acabaram por serem três, já que a dona Fernanda, resolveu fazer um bom desconto, e trouxe uma sweatshirt cor verde-mar, muito bonita.


De seguida, dirigimo-nos a sapataria, onde habitualmente tem ténis Giros.


Respirei de alívio quando me vi libre daquela senhora, e do seu questionário, e dos elogios.

Uf, até que em fim.

Estava a ver que não.

Estava perto de um ataque de nervos.

Ela e simpática, mas é grande melga!

A minha Mãe, soltou uma gargalhada.

Entrados na sapataria, logo me assaltou a vista, uns ténis muito bonitos em tons de preto e laranja.

Mas reparei que eram os mais caros.

A minha Mãe deixa que seja eu a escolher, diz que se é para mim, eu é que devo fazer.

Claro está, dentro de limites de quantidade e valor.

Embora vivêssemos de uma forma desafogada, os meus Pais trabalhavam muito para manter, o nosso padrão de vida.

Ficava sempre embaraçado, quando a minha Mãe me questionava.

 

Então Diogo, quais são os que gostas?

 

Disfarcei, fazendo um olhar corrido por todos, mas estava-me na retina os ténis pretos e laranja.

Ela, que me conhece como ninguém, esticou a mão e pegou neles.

 

São estes?

 

Leu nos meus olhos a minha resposta.

De uma forma espontânea deu-me um beijo.

 

São muito bonitos, eu gosto muito deles Mãe.

Mas são os mais caros!

 

Pois, tu tens olho para as coisas boas, e ainda bem que assim é.

És um rapaz de bom gosto!

 

Comentou a funcionária da loja.

Calcei-os, ó, servem!

Ficam-me bem.

Agora estava de ténis novos, calças novas e sweatshirt tudo a estriar.

Quando saímos da loja, abracei-a e dei-lhe um beijo.

Obrigado Mãe!

 

Faz sempre por mereceres Diogo.

Sabes que só tens a ganhar, se cumprires sempre com a tua parte.

 

Eu sei, e vou sempre tudo fazer para nunca vos defraudar.

 

Agora apanhas a carreira para casa, e eu vou trabalhar.

 

Mãe? Depois fazemos o saco das roupas que já não me servem para dar ao Rodrigo?

 

Sim, depois durante o fim-de-semana fazemos isso pode ser?

 

Sim claro.

 

Toma dinheiro para o bilhete e compra uns bolos para o vosso lanche.

 

Esbocei um sorriso que me inundou o rosto.

Tudo aquilo que eu poça partilhar com os meus amigos, desperta em mim um efeito de felicidade.

Ia convidá-los, para irem lanchar a minha casa e poder disfrutar desses momentos em que estamos juntos, num perfeito e harmonioso convívio.

Gosto de ser simpático, com as pessoas, com as quais me identifico.

Reconheço, que não tenho muitos amigos, mas os que tenho, são os que fazem por merecer a minha cota de amizade e confiança.

Sou pela velha máxima, poucos mas bons.

Nunca a quantidade foi sinonimo de qualidade.

Ou gosto, ou não gosto. É muito simples.

Para mim, não existe o assim-assim.

Sou mais fraturante que consensual.

Eu sei.

Não faço fretes.

Por tudo isto, na escola diziam, que eu era antipático e que tinha mau feitio.

Mas nunca foi apreciação que me incomodasse.

Sou feliz e gosto de ser assim.

Personalidade e carater muito forte. O resto, bom, o resto estou-me nas tintas para o que digam, ou pensem.

Jamais em circunstância alguma abdico de ser igual a mim próprio.

Quem não gostar, que ponha na beira do prato, e estamos conversados.

A minha Mãe, diz que eu tenho o feitio do meu Pai, herança da qual me orgulho.

 Encontrei pelo caminho o André que tinha ido fazer um recado ao Avô.

 

Grande estilo!

Ténis novos calças novas, e sweatshirt nova.

 

Estás fixe!

 

Obrigado André.

Bom, vou para casa, tratar da bicharada, e do meu almoço.

Logo, lanchamos juntos, comprei bolos para todos.

 

André, depois do almoço podia-mos ir dar uma volta de bicicleta.

 

Boa ideia!

 

Passa por minha casa.

Vou ver se o Dani e o Rafa e o Ródri podem vir.

Até logo André.

Bom apetite.

 

Igualmente Diogo.

 

Entrado em casa, tocaram a campainha.

Espreitei e vi o Rodrigo.

Acionei o comando, para abrir o portão.

Claro está, que o Dique, fez a escolta do Ródri até à porta da entrada, aos saltos e lambedelas, agitando a cauda num movimento frenético.

Latia de felicidade, dando-lhe as boas-vindas.

 

Ei! Grande pinta!

A roupa e os ténis, são muito bonitos.

Vi-te a passar na carreira, e resolvi dar aqui uma saltada.

Hoje não tenho ninguém em casa.

 

Boa, sendo assim, almoça comigo, tenho comida que chega para os dois.

 

Mas?

 

Vá, sem comentários, não aceito negas.

És meu convidado.

Torna-se mais agradável partilhar a refeição com outra pessoa.

Bora lá, vou tirar esta roupa vestir o fato de treino, e vamos fritar uns riçóis, para acompanhar com o arroz.

Dizem que os olhos são o espelho da alma, isso no Rodrigo é bem notório.

Já que eles se enchem de brilho.

Era uma união perfeita o azul resplandecente do seu olhar, com o sorriso de felicidade contagiante, que lhe inundava o rosto.

 

Se quiseres Diogo, enquanto tratas do almoço eu poço ir cuidar dos animais.

Queres?

 

Sim!

Boa, dessa forma tudo é mais rápido.

Coloquei um avental, e comecei a fritar os riçóis, e a pôr a mesa.

Regressado da tarefa, já tudo estava pronto.

 

Que bom aspeto!

 

Eu gosto de cozinhar para os outros, fazê-lo só para mim acho uma seca.

 

Está muito bom.

 

Ainda bem.

No fim de semana, eu e a minha Mãe, vamos ver a roupa que já não me serve para te oferecer.

 

Obrigado Diogo.

Nem sei como agradecer tudo que os Padrinhos e tu, têem feito por mim.

Acredita, és o meu ídolo.

 

Eu?

Ídolo?

Achas, não quero ser ídolo de ninguém.

Quero, e fico muito feliz se fores melhor que eu.

É o que o meu Pai sempre me diz, quando lhe digo isso.

 

Eu sei, o Padrinho também já me respondeu da mesma forma.

 

Olha, hoje lanchamos todos aqui, Comprei bolos na vila.

Eu combinei com o André, ir-mos após o almoço dar uma volta de bike, tenho de ir chamar o Rafa e o Dani.

 

Pois, só que eu não poço ir.

 

Então Porquê?

As lágrimas, irromperam de uns olhos famintos por felicidade.

 

Tenho um pneu furado, além de achar, que aquele homem com o qual me obrigam a coabitar, mas que me nego a chamar Pai, já que não passa de ser um monstro e bêbado intratável, ele fechou-a com o cadeado.

 

Se foce só o furo, isso resolvia-se, eu tenho uma caixa de remendos, na garagem.

Tem calma Rodrigo, tens sido um verdadeiro campeão, de quem muito nos orgulhamos!

O processo do pedido da tua custódia, feito pelos meus Pais, está quase no fim, depois já ganho o irmão que não tenho, e partilhar esta casa contigo, vai-me dar uma enorme satisfação e alegria.

 

Nem imaginas o quanto anseio a chegada desse dia, o dia da minha felicidade, já não aguento mais Diogo.

 

Bom vamos fazer o ponto da situação da tua bike, e logo se vê.

De outra forma, arranja-se outro programa para estarmos juntos.

Esta é a minha filosofia de vida, com o meu grupo de amigos.

Um por todos.

E todos por um.

Só assim vejo o real sentido da amizade.

 

Diogo_Mar

quinta-feira, 12 de março de 2015

INTRODUÇÃO AO POEMA SILENTE



Foi na cidade da Guarda, que nasceu a 25 de maio de 1998 este jovem valor a imergir para o mundo da escrita.

Rodrigo Paredes.

O trilho da vida, levou a serpentear serras e vales, até chegar ao embalo, dos dias agrestes ou doces, no colo escarpado da imponente e altiva serra da estrela, vestida de granito e xisto a transpirar histórias seculares.

Foi adotado, por uma pequena freguesia Girabolhos, com 17,88  km² conselho de Seia, distrito da Guarda.

Pescava o olho às estrelas, jurando a si próprio, que uma havia de ser dele!

Foi quando os nossos caminhos se cruzaram, levando-me a descoberta deste lingote de ouro, por lapidar, com 13 anos, preso ao cordel de todos os sonhos.

Num ápice, constatei o seu real valor, de um adolescente arrevesado, as banalidades e futilidades, que infelizmente granjeiam os miúdos da sua idade.

Entre várias qualidades, destacam-se as de músico, executante de euphonium (Bombardino) bem como brilhante aluno, no seu percurso académico.

Fui conquistado pela sua escrita, assumindo-se um Pessoano, gosto do qual sou cúmplice.

Sublinho, tudo isto, com 13 anos.

Abri-lhe uma janela de oportunidade neste blog, onde de pronto ganhou os seus admiradores, mas eis que chega o momento, de deixar o Rodrigo, voar com as suas próprias asas.

As sementes estavam lançadas.

Plana num céu de humildade, matizado pela determinação e persistência, tendo por referência o caminho que lhe apontei, para mais facilmente flanquear e derrotar as adversidades a que estamos expostos.

Sim, porque só quando entregue às nossas sortes, conseguimos a maturação perfeita, para obter um fruto de excelência e solidamente maduro.

São os desafios da vida, para os quais temos de estar preparados.

Agora com 16 anos, lançou o seu primeiro livro, de outros que com certeza lhe seguirão, eu cá estarei, para os apadrinhar.

 

QUIS SABER DE MIM

 

Os interessados, em querer saber do Rodrigo Paredes, que eu recomendo vivamente, podem fazê-lo através da:

 

Bertrand online e pela wook online, ou através da editora Pastelaria Studios

 

Sinto-me orgulhoso, por ter ganho um grande amigo e descoberto tão talentoso rapaz.

Sem modéstias jacobinas, sei que o Rodrigo encerra nele, referencias minhas.

Faz parte da minha vida, dos tesouros que vou descobrindo.

Irá desbravar os caminhos do presente de olhos postos no futuro, tendo sempre como lema, o que persistentemente lhe incuti

Humildade, carater, personalidade e determinação.

Gostar sempre muito dele, de forma a cimentar os alicerces de um futuro promissor, até mesmo perante o desembainhar da espada das agruras do tempo.

 

Agora regressa a casa que o viu nascer para a escrita.

O blog PALAVRAS DO MAR, volta a poder contar com o seu filho Rodrigo Paredes.

Irei proceder à publicação de poemas que percorrem a estrada de uma tenra vivência, mas simbolizada pela arte maior da paixão pela escrita.

 

Obrigado Rodrigo

 

SILENTE

 

Quantas vezes fui fraco?

Quantas vezes tentei sair impune?

Revejo-me nos dias obscuros,

Na névoa matinal,

De um ritmo banal:

Uma história casual.

 

A carne é fraca,

Por entre a voz rouca,

Ergue-se a imensidão de uma alma,

Esta alma sombria,

Fria,

Tenebrante perante o incêndio,

Fogo que consome as réstias

De querer viver;

Não quero ter o teu perdão,

Fui vazado por uma bala,

Sinto-me no vácuo,

Inabalável pelo cansaço,

Pelo estilhaço de uma veia
Rebentada por uma palavra,

Coagulada por um verso.

 

Agarro nas chaves do carro,

Desejo deslizar no asfalto,

De que serve ter uma voz,

Se o orgulho fala mais alto?

Inverto a marcha,

Surge a paranóia,

Fico encurralado,

Ouço um disparo

E o vermelho domina.

 

RODRIGO PAREDES