quarta-feira, 25 de abril de 2012

HAJA ATITUDE

Sem intenção de retirar qualquer responsabilidade a quem (dês) governou, e nos colocou nesta situação, acho que tudo se resume a uma questão de atitude.

A geração dos meus pais não foi uma geração à rasca.
Foi uma geração com capacidade para se desenrascar.
Numa terriola do Minho as condições de vida não eram as melhores.
Mas o meu pai António não ficou de braços cruzados à espera do Estado ou de quem quer que fosse para se desenrascar.
Veio para Lisboa, aos 14 anos, onde um seu irmão, um pouco mais velho, o Artur, já se encontrava.
Mais tarde veio o Joaquim, o irmão mais novo.
Apenas sabendo tratar da terra e do pastoreio, perdidos na grande e desconhecida Lisboa, lançaram-se à vida.
Porque recusaram ser uma geração à rasca fizeram uma coisa muito simples.

Foram trabalhar.
Não havia condições para fazerem o que sabiam e gostavam.
Não ficaram à espera.
Foram taberneiros.
Foram carvoeiros.
Fizeram milhares de bolas de carvão e serviram milhares de copos de vinho ao balcão.
Foram simples empregados de tasca.
Mas pouparam.
E quando surgiu a oportunidade estabeleceram-se como comerciantes no ramo.
Cada um à sua maneira foram-se desenrascando.
Porque sempre assumiram as suas vidas pelas suas próprias mãos.
Porque sempre acreditaram neles próprios.

E nós, eu e os meus primos, nunca passámos por necessidades básicas.
Nós, eu e os meus primos, sempre tivemos a possibilidade de acesso ao ensino e à formação como ferramentas para o futuro.
Uns aproveitaram melhor, outros nem tanto, mas todos tiveram as condições que necessitaram.
E é este o exemplo de vida que, ainda hoje, me norteia e me conduz.

Salvaguardadas as diferenças dos tempos mantenho este espírito.
Não preciso das ajudas do Estado.
Porque o meu pai e tios também não precisaram e desenrascaram-se.
Não preciso das ajudas da família que também têm as suas próprias vidas.
Não preciso das ajudas dos vizinhos e amigos.
Porque o meu pai e tios também não precisaram e desenrascaram-se.

Preciso de mim.

Só de mim.
E, por isso, não sou, nunca fui, de qualquer geração à rasca.
Porque me desenrasco.
Porque sempre me desenrasquei.

O mal desta autointitulada geração à rasca é a incapacidade que revela.
Habituados, mal habituados, a terem tudo de mão beijada.
Habituados, mal habituados, a não precisarem de lutar por nada porque tudo lhes foi sendo oferecido.
Habituados, mal habituados, a pensarem que lhes bastaria um canudo de um qualquer curso dito superior para terem garantida a eterna e fácil prosperidade.
Sentem-se desiludidos.

E a culpa desta desilusão é dos "papás" que os convenceram que a vida é um mar de rosas.

Mas não é.
É altura de aprenderem a ser humildes.
É altura de fazerem opções.
Podem ser "encanudados" de qualquer curso mas não encontram emprego "digno".
Podem ser "encanudados" de qualquer curso mas não conseguem ganhar o dinheiro que possa sustentar, de imediato, a vida que os acostumaram a pensar ser facilmente conseguida.
Experimentem dar tempo ao tempo, e entretanto, deitem a mão a qualquer coisa.
Mexam-se.

Trabalhem.
Ganhem dinheiro.

Na loja do Shopping.
Porque não ?
Aaaahhh porque é Doutor...
Doutor em loja de Shopping não dá status social.
Pois não.
Mas dá algum dinheiro.
E logo chegará o tempo em que irão encontrar o tal e ambicionado emprego "digno".
O tal que dá status.

O meu pai e tios fizeram bolas de carvão e venderam copos de vinho.
Eu, que sou Informático, System Engenheiro, em alturas de aperto, vendi bolos, calças de ganga, trabalhei em cafés, etc.
E garanto-vos que sou hoje muito melhor e mais reconhecido socialmente do que se sempre tivesse tido a papinha toda feita.

Geração à rasca ?

Vão trabalhar que isso passa.
Cresçam, façam-se a vida, tenham objetivos.
Deixem de ser plásticos no verdadeiro sentido da palavra.
Tenham personalidade e caracter.
Sabem, o que isso é?

À rasca, mesmo à rasca, também já tenho estado.
Mas vou a casa de banho e passa-me

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Geração Caralhete

Nos Morangos, a palavra "pessoal" é dita 53 vezes por minuto, normalmente inserida nas frases "Eh pá, pessoal!", no início de cada conversa, ou então "Bora lá, pessoal", antes do início de qualquer actividade.
Os gajos são todos betinhos (até os mânfios são todos giros e cool e com uma caracterização ridícula, como se fossem a um baile de máscaras vestidos de agarrados ou arrumadores de carros). Mas depois são bué mauzões, man! A brincar com os seus iPhone, com as suas roupinhas fashion, grandes vidas, mas muita mauzões.
Mas Se há algo que esta geração de morangada não pode ser, não tem direito a ser, é ser rebelde. Rebelde porquê, contra quê? Nunca houve em Portugal geração mais privilegiada do que a actual, à qual esses putos pertencem. Nunca qualquer puto teve tanta liberdade e tanta guita no bolso como esta malta. Nunca as pitas foram tão boas e tão disponíveis para foder com a turma inteira como agora. Nunca houve tamanha liberdade de mandar os pais à merda e exigir uma melhor mesada porque é altura dos saldos. Rebelde porquê? Em nome de quê?
É claro que isto são pormenores com os quais as novelas não se deparam, nem têm de o fazer. O objetivo é simples: para uma geração tão privilegiada como aquela que é retratada, há que criar uma rebeldia fictícia, porque não é cool ser dondoca aos 16 anos. Mas é o que todos eles são.
Há uns tempos vi, no Largo do Carmo, um bando de uns 15 putos e pitas, vestidos à "dread" com roupinha acabada de comprar na "Pepe Calças de ganga".
Um dos putos que ia à frente, não devia ter mais de 16 anos, vem a falar à idiota como se fosse dono da rua, saca duma lata de tinta e escrevinha qualquer coisa de merda na parede. Todos se riram, todos adoraram, e ele foi, durante cinco minutos, o maior do bairro. Não fiz nada, mas devia ter-lhe partido a boca toda.
Todas as últimas gerações antes desta (incluindo a minha, a Geração Rasca, que se transformou na Geração Crise - bem nos foderam com esta merda) tiveram de furar, de lutar, de fazer algo. Havia uma alienação mais ou menos real, que depois se podia traduzir nalguma forma de rebeldia. Não era o 25 de Abril como os nossos pais. A nossa revolução é a dos recibos verdes e da consolidação orçamental. Mas esta morangada sente-se, devido à merda que a televisão lhes serve e aos paizinhos idiotas que (não) a educaram, que é dona do mundo. Quando já és dono do mundo, vais revoltar-te contra quem? E por que raio haverias de o fazer?!
E assim vamos nós. Com novelas de putos "rebeldes", feitas por "actores" cujo momento de glória é entrar numa boys band ou aparecer de cú ao léu na capa da FHM, ensinando a todos os outros putos que temos que ter cuidado com as drogas (mas todos os agarrados são limpinhos, assépticos, com os mesmos penteados ridículos), que a gravidez adolescente é má (mas todas as pitas querem foder à grande, porque são donas da sua própria vida e os pais não sabem nada, etc) e que, sobretudo, este mundo lhes deve alguma coisa. Os tomates. A mim e aos meus, o mundo deve alguma coisa. Aos que foram atrás da merda do canudo para trabalhar num call center, aos que se matam a trabalhar e são forçados a ser adultos antes do tempo. Não a esta cambada de mentecaptos.
E depois estas séries vão retratando "problemas sociais da juventude", afagando a consciência de quem "escreve" aquela merda, enquanto ao mesmo tempo incentivam esta visão egocêntrica, egoísta e vácua desta geração acabadinha de sair do forno.
Talvez eu esteja a ficar velho e a soar como o meu pai. Lamento se não é cool. Mas esta merda enoja-me.
Vão ser rebeldes pó caralhete."

RESIGNAÇÃO NUNCA

Desculpem este meu desabafo, mas já nem sei de mim, fazem-me sentir uma amálgama que perdeu todas as referências, contrarias aos princípios que me incutiram.
Nasci num país que não pude escolher,
os meus progenitores transmitiram-me valores e princípios que volvidos estes anos vejo que estão adulterados.
A sociedade entrou num beco sem saída.
Plástica, artificial, fútil, ego centrista.
Onde mora o amor ao próximo? A solidariedade, os valores morais e éticos!
Temos ao longo destes anos traçado, uma caminhada para o abismo, perante toda a passividade e laxismo das mais altas instituições com responsabilidade por este pedaço de terra a que romanticamente chamam de JARDIM A BEIRA MAR PLANTADO.
Eu muito francamente, mais me apetece chamar RÉPÚBLICA da _incúria _total e absoluta.
E para justificar esta minha designação, pergunto:
Conhecem algum organismo que funcione bem? Alguma instituição que seja transparente e que cumpra integralmente o papel para o qual foi criado?
O que eu constato, é uma lei que se apoderou deste País, sabem qual?
O deixa andar, agregada aos atestados de ignorantes que nos vão dando todos os dias, e a uns anos a esta parte já sem pudor, é mesmo a escâncara.
A passividade de todos nós levou a que estes senhores conduzissem este pequeno barco cheio de rombos, a um porto conspurcado de lixo humano e com cheiro a bafio, de mentes iluminadas para o Chico espertismo.
Estamos confinados, mas não devemos estar resignados.
Ainda sinto o sangue Luso a ferver, de RAIVA.
Recuso-me a ser mais um dos silenciosos.
E sabem porquê? A mim sempre me disseram que quem cala consente.
eu não vou por aí.
A nossa sociedade precisa de acordar, porque nem tudo são novelas, futebol e tolk-chous.
Urge a necessidade de dar uma grande lição a estes senhores que nos fazem privar de tudo a que temos direito. Sim, direito.
Ou será que poder usufruir das regalias que a vida me devia dar é pedir de mais?
Chega de méras actitudes de cosmética.
Mas tudo isto é utópico, e sabem porquê?
porque temos nós que pagar a crise, crise essa provocada por esses _energúmenos _incompetentes e _oportunistas.
Estou com vontade de vomitar de NOJO E DE RAIVA, perante a situação que nos impuseram.
Temos de passar necessidades privar-nos de quase tudo, não tarda, até de respirar nos vão privar.
Estão-nos a empurrar para um campo de concentração altamente mortífero: sabem qual?
O de perder-mos a nossa auto estima e a nossa própria dignidade.
Eles tem vindo a delapidar o património que nos incutiram os nossos Pais. e não me venham com a ladainha, que eram outros tempos.
Princípios e valores são intemporais.
Agora estamos acorrentados, e amordaçados por uma anarquia institucionalizada.
Este País está ferido de _morte, perante a _vanglarisação desses _mentecaptos que não servem para nada.
De resto acho que tenho a chave para sair-mos da crise.
Exportar incompetência, inépcia, ignorância, injustiça e fachada.
Tenho a certeza que num ápice ficávamos com a balança do tão falado deficit favorável.
Mas esta minha solução morre a nascença: sabem porquê?
Porque ninguém compra estes _energúmenos, _são _maus de _mais, ninguém lhes pega.
Por isso infelizmente temos que continuar a coabitar com esta _CORJA.
O pior é que eles assistem do palanque a nossa morte lenta.
Por isso digo: não ao silencio,
não ao comodismo,
não a resignação.
Temos de lutar, temos de dar uma boa e grande lição a esta _seita de _interesseiros e _mentirosos.
Não podemos baixar os braços. Venha daí a nossa raça, a nossa bravura, o nosso GRITO.
A morrer que seja de pé.
Por um País mais próspero e promissor para mim, para os meus Filhos.
Não podemos esquecer, o que fizermos hoje, é o que se irá reflectir no futuro dos jovens, e das crianças deste Portugal.
Por tudo isto, lutemos hoje por nós, perspectivando o amanhã deles.
Por tudo isto vale a pena não desistir-mos.

Diogo_Mar

ESTRELA DA TARDE

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amorEu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amorEu não tenho a certeza
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!

José Carlos Ary dos Santos

Retalhos da Vida de um Médico

Serras, veredas, atalhos,Estradas e fragas de vento,Onde se encontram retalhos
De vidas em sofrimento
Retalhos fundos nos rostos,Mãos duras e retalhadas
Pelo suor do desgosto,Retalha as caras fechadas
O caminho que seguiste,Entre gente pobre e rude,Muitas vezes tu abriste
Uma rosa de saúde
Cada história é um retalho
Cortado no coração
De um homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão
As vidas que defendeste,E o pão que repartiste,São lágrimas que tu bebeste
Dos olhos de um povo triste
E depois de tanto mundo,Retalhado de verdade,Também tu chegaste ao fundo
Da doença da cidade
Da que não vem na sebenta,Daquela que não se ensina,Da pobreza que afugenta
Os barões da medicina
Tu sabes quanto fizeste,A miséria não segura,Nem mesmo quando lhe deste
A receita da ternura.

Fernando Namora