domingo, 29 de dezembro de 2013

FELIZ ANO NOVO - HAPPY NEW YEAR 2014 - MMXIV


Eis chegados ao fim de mais um ano, 365 dias de alegrias, tristezas, vitórias e derrotas, invariavelmente é sempre assim.
É o tortuoso caminho da vida, num processo de amadurecimento.
Depositamos uma vontade árdua e faminta, de um 2014 próspero, com passaporte para as nossas realizações.
Sabemos, que não há anos perfeitos, por tudo isto, é imprudente, elevarmos a ânsia voraz das nossas espectativas.
Cabe-nos ter a mestria de suavizar o sofrimento, causado pela corrosão do tempo, que ao dobrar da esquina, nos pode aprisionar na sua teia, da perda, e do desalento.
Não devemos esquecer o velho chavão popular.
Quem vai para o mar, avia-se em terra.
Não vá o diabo tesselas.
É que o seguro morreu de velho, e o desconfiado, ainda por cá anda!

ABRAÇAÇO



DIOGO_MAR


ABBA HAPPY NEW YEAR!



http://www.youtube.com/watch?v=mG5T7LmSEZc

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

ANSEIOS E DESVANEIOS NUMA FOLHA DE CALENDÁRIO


 
Estamos prestes a dobrar mais um ano.
Realizações concretizadas, outras esvaneceram-se no vazio de uma ânsia, com trago, a saudade.
Sempre acalentamos múltiplas esperanças para o novo ano.
2013 Está no fim do seu reinado.
Tristezas e alegrias, preencheram mais uma página de um livro que vamos desfolhando, com o epílogo mergulhado numa enigmática incógnita.
Sonhos e promessas, e a tal esperança, que não é mais que um empréstimo que contraímos ao tempo.
Se o sonho é o alimento para a alma, para manter acesa a chama de tudo a que nos propomos fazer, não é menos verdade, que as derrotas por não atingir os objetivos, deixam marcas de frustração e de desalento.
Como espinhos cravados no peito, sangrando a tristeza que nos corrói a alma, e a angústia que nos aperta o coração.
Um cocktail de lagrimas e sangue, de desespero, e sofrimento.
Eu queria tanto!
Porque não consegui?
Assalta-nos uma revolta interior, ficamos vergados a um clima de paz armada pela insatisfação de não termos conseguido, alcançar os objetivos a que nos propusemos.
Por vezes esquecemos dos nossos limites, e elevamos de mais a fasquia.
A sobranceria que evidenciamos perante metas revestidas de ambição exacerbada subjuga-nos a uma situação ridícula.
Este é o preço da ambição doentia e desmedida.
Chega ao fim 2013 que à semelhança de finais de outros anos, é tempo para fazer balanços.
Entre o deve e o haver, lá vamos tentando camuflar o tanto que queria-mos, com o pouco que sobrou.
Para muitos, foi uma mão cheia de nada, um ano prenho de ilusões.
Ficam-nos as espectativas, para um 2014 sempre com a tal esperança de ser melhor que este, já na curva descendente.
Por tudo isto, quero desejar a todos que partilham comigo a blogosfera, um 2014 a medida dos anseios de cada um.
Lembrem-se, há limites que devemos controlar, ou então corremos o risco de morrer na praia, ao sabor do amargo da frustração.
FELIZ 2014.



DIOGO_MAR

 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

MENSAGEM DE ANIVERSÁRIO DO BLOG PALAVRAS DO MAR


 
Vinte de dezembro de 2011 nascia este blog.
Quando me prepus a ter na blogosfera este canto, nunca foi meu prepósito entrar para a galeria dos blogs notáveis.
Foi sim, dar um cunho muito próprio e pessoal, da minha essência, quer em prosa ou poesia, espalhar a brisa do meu ego.
Franquiei portas a outros autores com os quais me identifico.
Este blog tem sido um mar fértil, de tesouros, que gostamos de preservar, e outros que vão imergindo.
Testemunho disto, é o Rodrigo Paredes, um adolescente que me lançou o repto, para eu lhe abrir uma janela de oportunidade.
Sob o olhar atento de muitos que vão seguindo a espuma das palavras, que vão desfiando por aqui, vamo-nos deixando embalar, na docilidade de um mar, ora revolto, ora bonançoso, na calmaria, ou na tempestuosidade da realidade da vida.
Neste percurso de dois anos, tenho a humildade suficiente para vos dizer, que aprendi bastante, ao colher experiências de vidas escritas em diferentes blogs.
Criei laços de amizade, numa blogosfera que deve ser vista como um todo, e não como muitos pensam ao porem-se em bicos de pés, achando que são os melhores.
Para esses, fica a minha compaixão pela pobreza de espirito, e leviandade que demonstram.
Continuarei de forma sóbria e paulatina, a ondular este blog.
Desde já, o meu muito obrigado, a todos que vão navegando e absorvendo, as PALAVRAS DO MAR.
SIM, PORQUE ELE TAMBÉM É TEU!!!
Espero que gostem da nova cara, bem como da play list de 05 músicas que podem disfrutar.

FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO ANO NOVO.

DIOGO_MAR

Deixo-vos a mensagem do Rodrigo

É com muito orgulho e carinho que venho felicitar este blog pelos seus 2 anos de existência.
É um blog que transmite sentimento, lições de vida e acima de tudo um carisma pessoal inalcançável.
Tudo isto claro se deve ao Diogo, que se mantém persistentemente a lutar por este blog.
Além disto, felicito-vos a todos com um bom Natal e boas entradas em 2014.
Aparece, porque O MAR TAMBÉM É TEU.

Rodrigo Paredes

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

APRESENTO-VOS A GERAÇÃO DOS MANOS PÁ!


 
Se há algo que esta geração apelidada por morangada, não pode ser, não tem direito a ser, é rebelde.
Rebelde porquê, contra quê?
Nunca houve em Portugal geração mais privilegiada do que a atual, à qual esses putos pertencem.
Nunca qualquer puto teve tanta liberdade e tanta guita no bolso como esta malta.
Nunca as pitas foram tão boas e tão disponíveis para foder com a turma inteira como agora.
Nunca houve tamanha liberdade de mandar os pais à merda e exigir uma melhor mesada.
Rebelde porquê? Em nome de quê?
Para uma geração tão privilegiada como esta há que criar uma rebeldia fictícia, porque não é cool ser dondoca aos 16 anos. Mas é o que todos eles são.
Há uns tempos vi, numa das ruas da cidade do Porto, um bando de uns 15 putos e pitas, vestidos à "dread" com roupinha acabada de comprar na "Pepe Calças de ganga".
Um dos putos que ia à frente, não devia ter mais de 16 anos, vem a falar à idiota como se fosse dono da rua, saca duma lata de tinta e escrevinha qualquer coisa de merda na parede. Todos se riram, todos adoraram, e ele foi, durante cinco minutos, o maior do bairro. Não fiz nada, mas devia ter-lhe partido a boca toda.
De cigarro ou charro numa mão e a garrafa de vodka na outra acham-se gente.
Estes parasitas da sociedade, preenchem o seu ego, a vandalizar o património coletivo.
Partem vidros de paragens, incendeiam papeleiras e caixotes do lixo, riscam, e escrevem nas paredes, fazem questão de arrotar em locais públicos bem alto, qualquer semelhança a um suíno, é mera coincidência, já que um porco junto destes manos, merece-me mais respeito.
Tudo fazem para provocar conflitos, já que por norma atuam em manada, porque sozinhos, os manos, ainda borram as cuecas.
Andam ao sabor do vento sem objetivos, broncos arrogantes e mal-educados, são os filhos dos subsídios.
Nas escolas coçam o cu, pelas esquinas, passeiam os livros e mal tratam funcionários e professores.
MAS ESTES MONTES DE MERDA, ainda vão mais longe, coagem psicologicamente, chegando a agressão física, junto dos que se negam, a entrar na manada destes dejetos.
Desde já aqui fica a minha palavra de admiração, e de estímulo para com aqueles que são rapazes e raparigas, de carater e íntegros, e que tem a coragem de dizer NÃO vou por aí.
Todas as últimas gerações antes desta incluindo a minha, a Geração Rasca, que se transformou na Geração Crise - bem nos foderam com esta merda, tiveram de furar, de lutar, de fazer algo. Havia uma alienação mais ou menos real, que depois se podia traduzir nalguma forma de rebeldia. Não era o 25 de Abril como os nossos pais. A nossa revolução é a dos recibos verdes e da consolidação orçamental.
Mas estes putos sentem-se, devido à merda que a televisão lhes serve e aos paizinhos idiotas que (não) a educaram, que é dona do mundo. Quando já és dono do mundo, vais revoltar-te contra quem? E por que raio haverias de o fazer?!
E assim vamos nós.

Aqui estão os tais putos rebeldes, cujo momento de glória é entrar numa boys band ou aparecer de mamas ou cú ao léu, num hino ao nu, na capa de uma revista, de penteados ridículos, e defecarem linguagem de elevado grau de ignorância.

Elas dizem que a gravidez adolescente é má mas todas as pitas querem foder à grande, porque são donas da sua própria vida, vestem-se de maneira quanto mais provocatória melhor e os pais não sabem nada, etc. e que, sobretudo, este mundo lhes deve alguma coisa. Os tomates.
A mim e aos meus, o mundo deve alguma coisa.
Aos que foram atrás da merda do canudo para trabalhar num call center, aos que se matam a trabalhar e são forçados a ser adultos antes do tempo.
Não a esta cambada de mentecaptos que só querem pasta, para roupas, calçado, acessórios de marca, carregar o TLM, tabaco ou ganza e para as orgias de álcool.
Esta é a visão egocêntrica, execrável, egoísta e vácua desta geração acabadinha de sair do forno.
Lamento se não é cool. Mas esta merda enoja-me.
Vão fazer exigências e ser rebeldes pó caralhete.


 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A ESSÊNCIA do NATAL


 
Eis chegados ao natal
Certamente não será o que muitos desejavam que fosse.
O quadro económico-social do país, está longe de ser o mais favorável.
O flagelo do desemprego, tem dizimado os sonhos de famílias, que se viram abraços com graves problemas.
Este natal, irá ser mais pobre de bens materiais.
Mas rico, em amor carinho e calor humano.
São o mais importante, e não se vendem nem se compram.
Temos muito para dar e receber.
Ao longo destes anos, a verdadeira mensagem de natal, foi adulterada pelo consumo doentio e desenfreado.
Infelizmente, foi essa herança, que passamos as crianças.
Prendas, mais prendas vezes prendas.
Quem dá mais!
Quem recebe mais!
Qual a mais valiosa!
Da noite sobra um amontoado de caixas e papeis coloridos.
Tudo tão fugaz e efémero, como são os bens materiais.
O verdadeiro espirito natalício, está dentro de nós, nos gestos e atitudes simples espontâneos.
Vamos fazer natal!!!


DIOGO_MAR

sábado, 14 de dezembro de 2013

FELIZ NATAL


 
A todos aqueles, que partilham comigo a blogosfera, venho reiterar os meus votos de FELIZ NATAL.
Aproveito ainda para vos comunicar que o blog PALAVRAS DO MAR está prestes a completar 2 anos de vida.
Será no próximo dia 20.

Sei que não é um blog de multidões, mas nunca foi essa a minha pretensão.
Aliás, sempre vos digo, que não tenho a mínima paciência para coisas e pessoas fúteis e banais e plásticas.
Não estou na blogosfera para entrar em competições saloias e jacobinas.
Na minha casa, só coabitam os que se sentirem bem.
Nunca abdicarei de seguir este trilho, revestido de muita personalidade carater e homogeneidade.
Dei a oportunidade a um adolescente, em publicar aqui os poemas que vai escrevendo.
Acho a pedagogia mais correta, é aproveitar os valores que vão imergindo, antes que se percam.
É o caso do Rodrigo Paredes, a quem deixo publicamente aquele ABRAÇAÇO, e o estímulo, para continuar.

 
O meu outro blog, A MINHA MANTINHA


Vai completar 1 ano de vida no próximo dia 1 de janeiro 2014

É um blog de cariz diferente mas não menos apaixonante que este.
São histórias de sempre, e para sempre.
Os meus 2 blogs, são o espelho do meu ego.

Em poesia, ou prosa, são SEMPRE IGUAIS A MIM PROPRIO.

A minha mensagem de Natal pode encontrá-la na MINHA MANTINHA

 UM NATAL MAIS QUE PERFEITO

Mais uma história a que dei corpo, das muitas que por lá encontra.
Lições de vida, que nem sempre é um mar de rosas.
 


DIOGO_MAR

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

ADEUS PÁGINAS DO PASSADO


 
Flutuam pensamentos vadios, em folhas soltas, que se perdem no livro da vida.
Transportam mensagens expostas a erosão de um traçado sinuoso.
Vagueiam pelos ares, presas ao cordel do tempo.
Deitado por sobre esta fraga, ébria de lágrimas derramadas, deito a perder de vista, o bailado, que fazem para mim.
Testemunhos de uma vivência, entre laivos de alegria, salpicada de saudade.
Sinto o corpo dormente, apossa-se de mim um sentimento de perda.
Afago as rugas daquela fraga rude, torturada pelo vento, que agora leva nas suas azas, páginas onde residem memórias famintas de esquecimento.
O passado já lá vai.
Não quero mais saber de ti.
Voa para bem longe de mim.
O meu olhar embalava as nuvens, no berço de um céu matizado por um sol tímido.
Os pássaros reuniam numa orquestra, afinada pelas notas de um fim de tarde embebido, na ávida vontade de dizer adeus.
No meu peito galopava o sentimento de ausência.
Quero separar-me deste cordão umbilical, que asfixia o o presente.
Eu já não sou eu!
Quero ser uma semente faminta, por germinar, num caminho fértil e promissor.
O meu coração é tomado de assalto pelas interrogações que suscitam todas as dúvidas da incógnita onde assenta o futuro.
Num autêntico turbilhão, os pensamentos ecoavam dentro de mim.
A doce melancolia do corpúsculo daquela tarde, parecia contagiar-me de um febril estado de ânsia.
Rebusco na minha essência, a determinação que me há-de conduzir, a vitória de tempos vindouros.
Bebo os dias diluídos num cálice de esperança, e abnegação, aos quais ergo um brinde.
Agora já não avisto as folhas do passado, e a noite já me abraça.
Certamente será o início de um capítulo, de uma sebenta em branco, onde irei rascunhar, uma nova vida!

 

 DIOGO_MAR

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

NELSON MANDELA (MADIBA)


UM HOMEM DE SEMPRE E PARA SEMPRE


A educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo

 
Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.

 
Devemos promover a coragem onde há medo, promover o acordo onde existe conflito, e inspirar esperança onde há desespero.

 
Bravo não é quem sente medo, é quem o vence.

 
Sonho com o dia em que todos levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos.


Eu sou o capitão da minha alma.


 
Frases proferidas por um incontornável símbolo da luta pela liberdade e igualdade.

 
Um verdadeiro herói

 
NELSON MANDELA

(MADIBA)
 

http://www.youtube.com/watch?v=zmkTAvtneYw

domingo, 1 de dezembro de 2013

aos sete ventos


 
O teu nome, resvala pelas paredes gélidas da ausência.
De voz empalidecida, suplico ao vento, para te encontrar, nos recônditos cantos da memória, de um passado ainda bem presente.
Transpiro sentimentos amordaçados, por uma timidez castradora, que me inibe a vontade de gritar, e dizer, quero-te possuir.
Verto lágrimas desesperadas, por não saber de ti.
Perdi-te.
Onde estás?
Por onde andas?
Para onde vais?
A inépcia acorrenta-me, sob um sol devorado pelas trevas, do desespero.
Perco-me, num labirinto de desejos, mergulhados numa amálgama de indecisões.
Alimento-me de um retrato, pintado imaginariamente na parede do meu quarto, onde me refugio.
Salgo as palavras, num monólogo de frustração e melancolia, da frase.
À, se eu sabia!
Eu não quero lamentar o que não disse, o que não fiz.
Quero sim erguer-me deste sonambulismo, que me corrói a vontade de saber de ti.
Cabelos de nenúfares, olhos de céu, mãos de mundo, boca encaixilhada pelo verbo amar.
Lembras-te das nossas cumplicidades, aproadas num oceano de amor?
Ó, o quanto gostava de retroceder no tempo, poder perfumar os dias com a essência do teu instinto perspicaz.
Levantarmo-nos, deixando para traz, os lençóis moldados, pelos nossos corpos.
Ser o teu timoneiro, na quilha do desejo, ao leme da nossa paixão.
A cortina da vida, não se pode fechar de vez, ao fim do primeiro ato.
Soletro vagarosamente o teu nome, polvilhando os dias, mascarando a minha dor.
Só tu podes restituir-me, a trajetória da alegria!

 

DIOGO_MAR

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A UM PASSO DO ABISMO





Passamos uma vida inteira, com ela a passar-nos ao lado. Desembrulhamos os dias freneticamente, cansamo-nos precocemente, de tudo e todos.
O que hoje é algo de inovador, amanhã já se tornou rotineiro, tudo é tão fugaz, como se de uma pastilha elástica se tratasse, masca-se enquanto é doce, para de seguida lançar fora.
Olhamos para o nosso semelhante, com uma enorme carga de desdém, descartando as nossas responsabilidades.
Alimentamos o egoísmo egocêntrico e feroz, por mais, e ainda mais.

Vangloriámo-nos alarvemente, da vida materialista que nos embriaga. 
Aceitamos jogar com dados viciados, representamos no palco da vida, um papel no qual não nos revemos.
Vestimos o nosso cotidiano, com um fato de gala, de frustração preconceito, e intolerância.
Se não gostamos de nós, quem vai gostar?
É um verdadeiro labirinto existencial, que desemboca numa crise de identidade, onde só se conhece uma lei.
O o salve-se quem puder.
Como um rio, algemado pelas suas margens, também nós vivemos confinados a um caminho, com uma só direção, o abismo.
Fazemo-nos falsos demagogos, apregoando princípios avulsos que camuflamos, numa carapaça envolta num elevado grau de hipocrisia.
Um autêntico baile de máscaras fora de época.
Quem são os convidados?
São todos aqueles, desprovidos de carater e personalidade.
Ou que de forma leviana, a prostituem.
Cometemos o pecado mortal, da nossa vivência.
Confundimos liberdade com libertinagem, ou porque não dizer anarquia.
Dessa forma, adulteramos todos os mais elementares conceitos de sociedade.
Os valores morais e éticos, estão cadavéricos.
De forma livresca, isentamo-nos de culpas, com o dedo em riste, apontamos os erros levianamente aos outros, que sarcasticamente rotulamos com as imperfeições que não temos dignidade de assumir.
Pavoneamos a fachada que ostentamos engalanada de ambição exacerbada e sem limites.
Assim vamos calcorreando um trilho pantanoso, onde nem a flor de lotos germina.
Pobre homem, vegetas à esquina de uma vida asfixiada pelo garrote do narcisismo podre!

DIOGO_MAR
 

domingo, 24 de novembro de 2013

AOS OLHOS DA NOITE


 
Noite sem rosto, escura, gélida e enigmática.
Quem és tu?
Carregas no teu regaço uma verdadeira orgia de emoções e sentimentos, embriagados de loucuras, onde somos atores intervenientes.
Jorra da tua penumbra, todos os mistérios que em ti guardas, lágrimas de prazer e de dilaceração.
Escondes no teu ventre, os segredos do universo.
Brotam palavras de encanto e de desencanto, que parimos, perante a tua indiferença e altivez.
Das guarida, aos amantes, sob o teu manto, bordado de cumplicidade.
Fazes um pacto com a solidão para esmagar os passageiros que por ti deambulam.
És amada, e odiada.
O eco da tua voz austera e silenciosa, trespassa todas as histórias que te percorrem.
O breu das tuas palavras, cega a minha alma, sedenta dos moldes de amor, gravados no meu leito, que testemunhaste, com um olhar indiscreto.
Sabes, tu és uma estranha mas bela amante, onde as histórias ficam inacabadas.
Porque a noite segue dentro de momentos!

 



DIOGO_MAR

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O OUTONO NUM CARTUCHO DE NOTÍCIAS


 
Da janela do meu quarto, ergo os meus olhos para um céu tricotado de nuvens indiscretas.
Deslisam num movimento frenético, ziguezagueando.
Que mensagens transportam?
Serão elas as mensageiras do além?
Evidenciavam uma cara carrancuda.
Pareciam repreender-me, de algo que nem eu próprio sei.
Faziam desenhos algo enigmáticos, como se estivessem numa passerelle, a desfilar para mim.
Estávamos em pleno reinado do outono.
O jardim, encontrava-se despido.
A ausência dos transeuntes, agregada as árvores desnudadas, emprestavam-lhe um ar sinistro e desolado.
O vento varria aquela manta morta, entapetando o chão.
O fervilhar daquele ruido rastejante, eram os ecos de um outono anunciado.
Os bancos, autênticos confidentes de múltiplas histórias que se perdem no tempo, estavam tristes e abandonados.
Os velhos não ocupavam o seu lugar à mesa do jogo da sueca.
As crianças, não o coloriam com o bulício das suas brincadeiras.
Até as aves se tinham divorciado daquelas paragens.
Restava o vendedor de castanhas, colocado estrategicamente à esquina da rua, na confluência de várias estradas, e vidas.
Naturalmente residia nele a esperança de fazer um bom negócio, mesmo sabendo que não depende em exclusivo de si.
Temos sempre a nossa vida a prémio.
Aquele quadro profundamente nostálgico, mexia comigo.
Sentia um aperto no peito, como se estivessem a arrancar-me um pedaço de mim.
Tive necessidade de colocar música, para quebrar aquele silêncio ruidoso, e pesado que me asfixiava.
Fiz um olhar corrido pelo meu arquivo de CDS, e aminha escolha recaiu inevitavelmente sobre a minha banda preferida.
Os Pink Floyd.
O ambiente, denso e impessoal, tornou-se num clima bem mais agradável.
Agora os meus ouvidos, eram inundados pelo som dos Floyd, e nas mãos tinha o Neruda.
Sim, esse mesmo Pablo Neruda.
É um dos meus autores de eleição.
De vez enquanto piscava o olho ao que se passava para lá do vidro da minha janela de sacada.
Sentia-me na fronteira de dois mundos.
Constatei que a chuva já marcava a sua presença, e o céu, já se apresentava completamente toldado, pintando de um cinza carregado aquela tarde envolta numa melancolia, a que eu me negava a resignar.
Corri ligeiramente a janela, para inalar o cheiro a terra molhada.
O vendedor de castanhas, que estava a ganhar a vida, embrulhada em folhas de jornal, com as quais fazia os cartuchos que as transportava, pôs ponto final a sua tarefa.
Recordo uma tarde em que me abeirei dele comprando uma dúzia.
Quentes e boas freguês.
Era um momento mágico, por toda a sua envolvência.
O fumo, o cheiro, despertava olhares apetitosos, pelo fruto, que caracterizava o outono.
Fazia uma alternância, de mão para mão, já que elas fumegavam.
Foi então que senti uma vontade inadiável de coçar o nariz.
Num movimento instintivo, lá vai disto.
Reparei ao passar à porta da barbearia do Bernardino, num olhar de soslaio para o espelho, que tinha-o enfarruscado, da tinta da folha de jornal, onde transpiravam as minhas apetitosas castanhas.
Bom, o melhor é deixar-me ficar por aqui, de outra forma iria alastrá-lo a toda a cara, já que as mãos haviam mudado de cor.
Eu estava feliz, mesmo a sentir a sensação que todos os olhares repousavam sobre mim, não me inibiam o apetite.
Sentei-me num dos bancos para degustar as tão apetitosas castanhas.
Sentia-me um intruso num jardim triste e deserto, ao sabor de um vento árido, a cantar notas de solidão.
Era como um ator sozinho num palco sem plateia.
Sobre os meus ténis, já se tinham plantado algumas folhas daquelas árvores que praticavam um nudismo desavergonhado.
Eram a caducidade e os aromas dos dias, com os quais o calendário não se compadece.
A paleta de cores estava circunscrita aos castanhos, e cinzentos.
Cheguei à última castanha.
Colocava no lixo as cascas, desfazia o cartuxo, restituindo-lhe a sua forma inicial.
Agora bem mais amarrotada, e com linhas e letras, algo impercetíveis.
Ali estava a folha de jornal que me havia saído.
Que noticia, ou noticias teria eu ali?
Taxa de desemprego origina debandada de jovens a procura de outros países.
Cantinas Escolares abrem no período de férias para garantir refeições as crianças.
Aldeias do interior de Portugal, entregues ao abandono, originando um significativo aumento dos Indicies de suicídio, tendo como origem o isolamento e o desespero das famílias abraços com o flagelo do desemprego.
A minha consciência tocou a rebate.
Afinal o momento de felicidade que tinha disfrutado ao saborear a dúzia de castanhas, via-se agora ensombrado por vidas destruídas na sua essência.
Fiz uma pausa de reflexão, velando o sofrimento do meu semelhante.
Desemprego, fome e morte.
Uma realidade nua e crua, num retrato de vidas condenadas a um amontoado de destroços resumidos numa folha de jornal, decepando os sonhos desejados, sob a guilhotina do tempo, onde não passamos de meros passageiros, de histórias inacabadas!

 

Diogo_Mar

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

CARTA SEM ROSTO



Olá, estou-te a escrever estas linhas, que se perdem na imensidão, de histórias que fomos cúmplices.
Lembras-te das nossas brincadeiras inocentes, com um fim sempre imprevisível?
Era o desbravar de um caminho, carregado de interrogações, que nos havia de levar à encruzilhada da vida.
Os teus cabelos de vento, olhos de mar, sorriso de sol, faziam o rascunho mais que perfeito, da sebenta, que ainda hoje transporto no peito.
O fascínio dos segredos que balbuciamos ao ouvido indiscreto do mundo.
Lembras-te?
Sim, eu sei que já faz tempo, mas são as tuas impressões digitais que permanecem bem vivas.
Se eu pudesse subtrair alguns anos!
Mas o que de mais significativo acontece na nossa vida, só tem encanto uma vez.
O tempo é tão escaço, sobra-nos as memórias!
Sabes, ainda guardo os bilhetes que trocávamos, numa escrita de riscos e sarrabiscos, que facilmente descodificávamos.
Tu gostavas que eu desenhásse com o meu olhar, as palavras, como se de um filme mudo se tratasse.
Tudo é tão fácil quando absorvemos o ADN da amizade.
Os verdes anos de uma aguarela, pintada com as cores da simplicidade e inocência, fazia desta etapa o patamar onde gostávamos que os dias se multiplicassem, e as palavras se fundissem, num vocabulário ainda escaço, e envolto numa timidez, de mostrar os sentimentos muito baralhados, e indefinidos, mas belos.
Começavam os preparativos, para o banquete de desafios para os quais não fomos convidados.
De forma implacável, lançaram-nos para a mesa do mundo.
Sobre ela, uma longa toalha de injustiça, bordada pelas mãos da hipocrisia, presidida pelo tempo.
Personagem de semblante carregado, o seu rosto encortiçado estava vincado pelas rugas da história, cabelos brancos de sabedoria, olhar distante, mãos a transbordar de mundo.
As cadeiras eram feitas de ambição, ostentando a vontade exacerbada de vitória.
O faqueiro, afiado, cintilava de covardia e falsidade.
As travessas de ingratidão, contrastavam com os pratos de egoísmo.
As taças de cristal resplandecente da ganância, deixavam-nos na boca um trago amargo de revolta.
Limpávamos a boca ao guardanapo da mentira.
Foi então que se fez ouvir a voz cáustica e firme do tempo.
Todos que estão há minha mesa serão escravos e prisioneiros dos vossos atos.
A mim só me cabe o papel de observador atento do vosso percurso.
Sou o vosso juiz.
Todos nascem libres, depois cada um escolhe as algemas que o irão aprisionar a vida.
Não esqueçam, o perdão e o arrependimento, são o bálsamo que serve de analgésico, para me curar as feridas.
Sirvo-vos a esta mesa o que de pior a vida tem.
Mas sabem porque o faço?
Porque é perante as adversidades das forças negativas é que adquirem as defesas que vos vão tornar imunes, aos sentimentos e as atitudes ignóbeis.
A chave para um percurso de vida íntegra, reside no caracter e na personalidade que cada um cultiva!



DIOGO_MAR

terça-feira, 12 de novembro de 2013

O AMARGO DOS SENTIMENTOS




Desdobro as palavras, numa ânsia voraz de te encontrar.
A minha vida, tornou-se numa dolorosa imensidão, com as paredes a imanarem o perfume dos nossos momentos longincos, eu sei, mas ainda brotam lampejos de uma saudade demolidora da tua presença.
Rasgo o tempo, em pequenos confetes coloridos para derramar sobre o chão frio da ausência.
Bebo os dias de um só trago, para não degustar o amargo da derrota.
Penteio as flores do meu jardim, onde busco o alento, para procurar sentir-me um vencedor, nem que por um só dia, eu vivesse esse espírito de conquista.
Faço um vou rasante sobre as imponentes árvores que ladeiam a minha casa.
Essas mesmas árvores, que no breu da noite, fazem um estranho e sinistro bailado ao sabor do vento, carregando gigantes adormecidos nos seus braços.
Tenho medo.
Ó cruel saudade!
Assalta-me a memória, os momentos idos de um amor exilado, que o seu encanto se diluiu em desencanto.
Onde estás!
Lembras-te dos momentos de devassa que os nossos corpos testemunhavam, numa louca loucura de enlouquecer?
Tudo se transformou, num atalho escarpado na montanha da solidão.
O meu coração, é retalhado pela incisiva lâmina da faca do tempo.
Jorra o sangue, embriagado pela saudade deste vazio, que me corta a respiração.
As minhas mãos trémulas desafinam as notas do piano adormecido no canto da sala.
A luz da vela empalideceu, como as forças que me vão faltando.
Prostrado na Lage da saudade, suplico ao consílio dos deuses do olimpo, que voltes.
Sou um pássaro que vai escabeceando numa liberdade prisioneira.
As minhas salobras e gretadas palavras salpicam uma atmosfera de ausência.
Vejo à esquina do tempo, mutilado pela melancolia de um regresso adiado.
As janelas da minha casa, são montras indiscretas para um mundo que olho de forma ténue.
Por favor volta!
Abraço as recordações moldadas de incertezas, num horizonte de múltiplas interrogações.
Já só restam, um amontoado de destroços, de um navio outrora de felicidade, despedaçado no cais.
Agora o meu peito, aproado de ilusões, mergulha na penumbra de um marasmo onde me perco.
Quero saber de mim.
Quero acordar, deste pesadelo.
Quero amar, e ser amado.
Vida, porque negas tu tantas vezes o direito ao contraditório?
Não te sentes incómoda na pele de madrasta?
A distância não passa de uma guerra fria, regada por lágrimas, onde não há vencidos nem vencedores!

 
 


Diogo_Mar

terça-feira, 5 de novembro de 2013

AOS PÉS DO TEMPO




Eu, aqui me apresento:
Sou o tempo, o dono do mundo.
Tenho o aos meus pés.
As minhas leis, são irredutíveis e intemporais.
Sou aquele a quem tu vergas a tua vontade, e velas os teus sacrifícios.
Tudo em meu nome.
Umas vezes teu inimigo!
Outras teu aliado.
Confidente dos teus segredos, e desabafos, das tuas lágrimas e sorrisos.
Coabitas um mundo sob a minha voz altiva, e implacável.
Tens pavor de mim, corres contra mim, e dizes que vais lutar contra o tempo, matar o tempo, e queimar o tempo.
Vivo na tua sombra, sou o teu mestre, imponho-te o biorritmo.
O relógio e o calendário são pautas, de uma orquestra, onde eu sou o maestro.
Prestas-me vassalagem, do minuto que nasces, ao que morres.
Imploras-me lentidão, nos momentos de felicidade.
Rapidez, nos momentos de sofrimento.
Quando te derroto, dizes que vais dar tempo ao tempo, ou fintar o tempo.
Eu riu.
Gosto de ver a tua submissão.
Sou déspota?
Sim.
Tens pavor de mim, eu sei.
Mas não vives sem a minha presença.
Sangro ou apago, as cicatrizes que eu desfiro sobre ti.
Chegas a ter saudades minhas.
Sou o alimento gratuito da vida, culpas e desculpas os teus atos, em nome do tempo.
Tu que dominas o mundo, com uma ganancia voraz, desesperas ao veres-te impotente, às minhas mãos.
Tenho-te algemado nos meus braços.
Rastejas aos meus pés, implorando-me que te conceda um empréstimo, para pagares com o tempo.
Eu não sou moeda de troca!
Esquartejaste-me em parcelas.
Dias, meses anos.
Criaste estações, onde eu não paro, só mudo de vestuário.
Impuseste-me, horas, minutos e segundos.
Reduziste-me a uma ínfima partícula, com a ambição de me esmagares.
Entras numa corrida cega e desenfreada, contra o tempo, a conquista dos teus ideais.
Acorda!
Eu sou o autor das vitórias e derrotas, de um caminho tortuoso que tens de percorrer.
Eu sou o tempo, amante da vida, que se perde na história, e não há história sem tempo!

 



DIOGO_MAR

 

sábado, 2 de novembro de 2013

MÃO CHEIA DE NADA




Sentado nesta janela de sacada, repouso o meu olhar sobre o frenesim de uma cidade a contas com o seu norte.
Um bulício de vidas que há muito perderam a sua identidade.
Agora tudo está circunscrito a um vai e vem que as obrigações nos impõem.
Dias que cabem numa hora de uma loucura desenfreada de tudo fazer.
A vida vai passando por nós, sem que disso se dê conta.
Abraçamos o vazio, que nos castiga, como areia fina que nos escapa por entre os dedos.
Tornamo-nos herméticos, ao suco que jorra da saudade, que nos trespassa a alma, e corrói as mais profundas entranhas, do nosso fragilizado corpo.
O marasmo em que mergulhamos é um caminho sem rumo, nem direção.
Somos uma amálgama de incertezas de insatisfações.
Nesta cálida e pardacenta tarde de outono, as tonalidades ficam esbatidas.
O cinzento da atmosfera, e desta granítica cidade, alastra-se aos semblantes agastados e moribundos, de viver uma vida, sem vida.
Nem o sol da esperança ressuscita a vontade de dar cor a tela que nós próprios esborratamos de forma negligente.
A caducidade da nossa vivência afoga-se num mar de folhas que despem as árvores.
Retrato a la minuta onde refletimos projetos de um futuro adiado.
Que nos importa ter tanto e saber, a tão pouco?
Tornamo-nos indiferentes a tudo, e a todos, envoltos numa carapaça de egocentrismo, que nos impede, de olhar para o nosso semilhante.
Já só sopram ventos agrestes e sinistros, da irracionalidade, a que nos esposemos.


 

DIOGO_MAR

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

AS ALGEMAS DO TEMPO





Por vezes dou por mim, a rebobinar todo o caminho percorrido até aqui.
Todas as quedas e rasteiras de um percurso de vida que tento esmiuçar de fio, a pavio.
Nascemos expostos a tudo que a nossa existência nos vai confrontar.
Tal como um número da lotaria da vida.
Se eu passasse ileso a dificuldade, será que tinha amadurecido, nesta vida escarpada pela erosão do tempo?
Até aos meus 16 anos lembro-me do espirito de conquista que era fazer as marcas na umbreira da porta do meu quarto, vendo orgulhosamente a minha desenvoltura física.
O relógio nem o calendário representavam nada para uma vida que eu próprio comandava.
Ou pensava eu que comandava!
Um ano que parecia infindável, era agora tão fugaz.
Horas dias meses anos implantavam em mim uma escravatura, a qual eu estava confinado.
O tempo também tem algemas, correntes invisíveis mas que nos marcam a compasso a cadência feroz, de metas a que nos propusemos.
Sob o jugo do relógio e do calendário, tornamo-nos robotizados, por uma vida obsessiva de valorização pessoal.
Aglutinamos num verdadeiro turbilhão todas as ambições que estabelecemos de forma sôfrega e doentia.
Já não temos tempo, para o tempo.
O relógio e o calendário tornaram-se uns ditadores implacáveis, com voz altiva onde não cabe o contraditório. São os nossos carrascos.
Esvanecem todas as estações da primavera da vida, que ilustrava um guião que tinha-mos conjeturado.
Resta-nos eternamente o outono, com as suas folhas caducas, com o trago de uma vida vivida, onde o vento parece varrer para bem longe a simplicidade de algo que se tornou inatingível.
Agora sou mais um, estandardizado e manietado, para onde me empurram, sem ter poder de escolha.
Olho para as marcas ainda visíveis na umbreira da porta do meu quarto, e sinto uma vontade inconsolável, de regredir aos tempos em que o tempo não tinha tempo para mim.
Ou que eu tinha todo o tempo para ele!

 



DIOGO_MAR

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Porque foi assim?



Retratos de uma memória flagelada pela saudade.
Folheio as páginas que o tempo não apagou,
Momentos únicos que passei contigo, em horas de autenticidade.
 
 
Sobra-me o vazio na penumbra da escuridão
Onde está o farol que no breu, me guiava a tua mão.
 
 
Acorrentado a uma alucinação que alimenta o meu ser,
Vivo a noite sem um amanhecer.
 
 
Prisioneiro de bebedeiras de tantas recordações
Jorrado no meu leito solto desabafos onde explicito as minhas frustrações.
 
 
Sangro palavras ofuscadas numa solidão lancinante
Exaurido morro e vivo a cada instante.
 
 
Amordaço os desejos adiados, de palavras e atitudes abortadas por falta de coragem
Paira diante dos meus olhos a silhueta da tua imagem.
 
 
Se eu pudesse voltar a traz, se eu pudesse ser o que não fui, amava a cumplicidade que eu releguei, num pedaço de vida que tanto amei.
 
 
Agora sobra-me nas mãos retalhos de uma história inacabada
Desembainho a minha vida, já mais que moribunda, na ponta da espada.
 
 
Ó capítulos de uma narrativa, manchada de covardia enganadora e mentirosa
Esvaio-me nesta vida, cruel cega e raivosa.
 
 
Esta magoa cravada no meu peito, crucifica a minha dor
Procuro na noite gélida e vazia, pelo teu corpo enternecedor.
 
 
Verto lágrimas salgadas de amargura
Chamo por ti
Tenho saudades da tua ternura!
 
 
Autoflagelo-me por não ter sido o que quis
Trespassado pelo arrependimento
O tempo há-de ser o meu juiz.
 
 
Condena-me, dita a tua sentença de tempos idos que não voltam mais
Aqui fico eu, com um rascunho de uma vida a morrer de arrependimento, soluçando pelos nossos testemunhos intemporais!
 
 
 
DIOGO_MAR

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

EM NOME DA MENTIRA!



Sempre ouvi dizer que uma mentira dita muitas vezes transforma-se numa verdade.
Nunca entendi bem esta frase.
Mas já ouvi rebatê-la dizendo, que a mentira tem perna curta.
Por vezes dou por mim, a refletir sobre a carga que estas expressões representam hoje mais que nunca, numa sociedade altamente corrompida e facilmente aliciada.
Começa a ser quase que uma utopia o carater e a personalidade.
A sofreguidão cega de atingir os objetivos, sem olhar a meios, é algo que cada vez mais me angustia.
O abismo económico, em que caíram um elevado número de famílias, Portuguesas fez quase desmoronar os já fracos alicerces morais de uma sociedade inusitadamente consumista.
A par desta lamentável realidade, sobra-nos outra:
Uma classe política e uma elite económica, que manobra a seu belo prazer um barco, onde a culpa morre solteira.
Ou seja:
Todos mentem, mas ninguém é mentiroso.
Agora que ele se apresenta cheio de rombos, eles mais parecem ratos do porão a fugir sacudindo a água do capote isentando-se de culpas.
Vemos que todos esses lóbis mergulham num verdadeiro antro de corrupção e mentira.
Daí vejo com muita perplexidade, que se começa a perder a noção, de onde começa a verdade, e onde acaba a mentira.
Ou seja, é o adulterar por completo de princípios que os nossos progenitores nos incutiram.
A mentira instalou-se, e até já goza de um elevado estatuto, já tem status social.
Os mentirosos compulsivos.
E no que concerne a esta matéria, ela é abrangente e transversal, a todo o quadrante politico.
Os abutres estão aí, sedentos de sangue fresco.
Agora já nem eu mesmo sei, se a mentira tem de facto perna curta.
Bom, pelo menos uma certeza tenho, é que não vos menti!

 
Diogo_Mar

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

NA PALMA DA MINHA MÃO



Na palma da minha mão
Tenho o mundo guardado
Calcorreei todos os caminhos, para te ter ao meu lado.

 
Na palma da minha mão
Estão gravadas as linhas do meu viver
A seda da tua Pele, a luz do teu olhar
Faz Desabrochar em mim a fome por cada amanhecer.

 
Na palma da minha mão
Encerro a história de um amor inacabado
A cumplicidade dos nossos corpos
Dão cor, ao mais belo quadro com sabor a pecado.

 
Pecado doce e consentido
Fonte de todos os meus desejos
Entrecortamos as nossas palavras
Na sofreguidão dos nossos longos e molhados beijos.

 
Ó bocas loucas, de um amor voraz
Tu dás-me o paraíso
Eu?
Sou o o teu guerreiro da paz.

 
Fundimos os nossos corpos
Num ato de amor sem limite
Eu sou o teu rastilho
Tu és o meu dinamite!

 
Na palma da minha mão
Leram-me o meu destino
Disseram-me que de velho voltarei a menino!

 
Leitura trivial e desinteressante
Que me importa a mim o futuro
Quero é viver, e saborear cada instante!

 

 Diogo_Mar

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O MAR TAMBÉM É MEU



Sonhei que o mar era meu
No embalo dos meus braços ele adormeceu.

 
Ó mar gigante, de mil músicas cantadas
Dormes no meu peito com tantas histórias ancoradas.

 
A tua imensidão, nesse leito tão Profundo
O teu ventre dá guarida, aos mais belos tesouros do mundo

 
O vai e vem do teu embalo, como se chamasses por mim
Ó mar imponente, diz-me onde é o teu fim!

 
Mar de mitos e lendas, no meu sonho derramado
A tua voz trauteia tão lindo fado.

 
Mar salgado e doce, de bonanças e temporais
Sussurra-me ao ouvido, os teus segredos ancestrais!

 
Acredita na minha cumplicidade
Mar dos meus encantos, amo a tua docilidade.

 
Três letras te dão nome, força bruta do universo
Mar do meu sonho, deixo-me adormecer no teu leito submerso!

 

DIOGO_MAR

quinta-feira, 4 de julho de 2013

PÁGINAS DA VIDA


Na palma da minha mão
Disseram-me que tinha o destino
Quando um dia for velho
Irei voltar a menino!

 
Chamam a isto a roda da vida
Eu chamaria patamares do meu viver
Desde o que nasço
Até ao que vou morrer.

 
Escadaria de uma vida, íngreme e sinuosa
Cravaram em mim tantos espinhos
Até chegar a almejada rosa.

 
Ó vida acre e doce
Tantas vezes vestiste o teu fato de fel
Coube-me a mim como teu ator
Saber desempenhar o meu papel.

 
Uma peça que se divide em múltiplos atos
Onde a vida não passa de uma interrogação
Quantas vezes num laivo de raiva, rasguei o guião!

 
Ó vida de lume brando
Mas por vezes incandescente
Lavraste-me na tua terra
Germinaste esta semente.

 
Desfolho o calendário
Da estrada da minha vivência
Escrevo e faço a história
Que guardo da minha existência!

 

DIOGO_MAR

quinta-feira, 27 de junho de 2013

A TUA IMENSIDÃO



Pintei uma aguarela com as cores da natureza
Elas eram escassas para eu descrever a tua beleza.

 
Ó amor sem fim
Estavas naquela tela sorrindo para mim.

 
Retrato fiel de um olhar doce que ilumina o meu ser.
És a fonte mais cristalina a brotar em cada amanhecer.

 
Balbuceio palavras de ternura
Procuro mas não encontro no dicionário nenhuma que defina a tua candura.

 
A tua entrega, amor e dedicação
Sempre me fez sentir amparado pela tua mão.

 
Quantas vezes não sabia de mim
Tinha medo sentia-me perto do fim.

 
Preciso-te do meu lado, a indicares-me o caminho
Dessa forma tenho a certeza, que não vou sozinho.

 
Foi a tua coragem e perseverança
Que me restituiu a chama da esperança!

 

DIOGO_MAR

terça-feira, 25 de junho de 2013

NAS AZAS DO TEMPO



Preguiço a sombra dos dias
Sem pouco ou nada fazer
Deixo que a vida me transporte, nas azas doces do seu correr.

 
Nunca quis empurrar o mundo
Deixo que ele me empurre a mim
Afinal para que ei-de ter eu tanta pressa
De alcançar o fim.

 
Parei o relógio do tempo
Dessa correria desenfreada
Quero brindar aos dias
Uma esperança adiada!

 
Abraço os meus ideais
Numa ânsia sem limite
Por ti morro de desejo
Tu por mim de apetite!

 
Assim calcorreamos os becos, ruas e avenidas
Sem pressa de chegar
Gravamos na estrada do tempo os nossos paços marcados a par

 
Cadência de cumplicidade
No tique taque do momento
Percorro o trilho da vida a conquista desse momento.

 
Tudo não passa de uma perfeita incógnita
Desenhada no futuro
Solto preces ao vento
Tenho medo do escuro!

 
Das trevas se faz dia
Num sol que te inunda o rosto
Mata-me a mim de alegria
Antes que te mate eu de desgosto!

 

 DIOGO_MAR