quinta-feira, 2 de maio de 2019

DESPOJOS


 
Aqui estou, no leito da saudade, mutilado pela dor da ausência.

O meu sangue, submerge a minha alma de langor, no pranto da noite castradora e infinita, vestida de um breu cruel e gélido.

A minha voz mortiça, sussurra a submissão de uma vida madrasta.

Escrevo com a mão implacável do tempo, nas páginas sombrias e agastadas do desencanto.

Crepitam sonhos órfãos de amargura, esboroados numa alquimia reduzida a cinzas.

Resta-me um amor expropriado, que jaz num adiamento perpétuo.

Sou decepado, na minha mais pura essência, jogado as mãos do carrasco de mim próprio.

O meu corpo é varrido pelos ventos agrestes que ceifam a minha identidade, Torturada pelo ascetismo impiedoso.

Que cortina é essa, que me ofusca a luz da vida, sepultando-me na caverna da incerteza, de nunca me possuir.

 

 

DIOGO_MAR

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

NÃO, EU NÃO QUERO


 
Não, não quero que sejas promessa.

Não, não quero que sejas adiamento.

Não, não quero que sejas frieza.

Não, não quero que sejas distância.

Não, não quero que sejas ausência.

Não, não quero que sejas fingimento.

Não, não quero que sejas indefinição.

Não, não quero mais ou menos.

Não, não quero pode ser.

Não, não quero não sei.

Não, não quero que sejas indecisão.

Não, não quero que tenhas dúvidas.

Não, não quero fretes.

 

Quero precisamente o contrário de tudo isto que acabaste de ler.

Quero que te dispas de preconceitos, que te libertes das algemas que aprisionam o teu EU, e sejas a tua essência, nua e crua, que deixes brotar a mais pura espontaneidade e naturalidade que em ti encerras.

Não quero que te dês pela metade, já que eu me entrego por inteiro, faço da reciprocidade meu lema.

Seja em que relacionamento for: Dois pesos e duas medidas, não obrigado.

 

DIOGO_MAR

sábado, 16 de fevereiro de 2019

PIRÓMANOS DA SOCIEDADE


 
Já não tenho memória de tão grande foguetório, neste País romanticamente a beira-mar-plantado a quem deram o nome de Portugal.

Um povo de brandos costumes, e sempre mais preocupado com o supérfluo em detrimento do essencial.

Um povo, que se alheia das decisões do seu próprio destino, dando dessa forma carta-branca a corrupção que se passeia alarvemente porque até sabem que os processos que envolvem grandes tubarões estão condenados ao arquivamento ou a prescreverem, passando a imagem de impunidade da justiça deste País.

Um Povo que tem sido vilipendiado, e mesmo assim tem resistido heroicamente.

Um povo ferido na sua essência, que infelizmente ao longo das gerações, tem vindo a perder muito da sua determinação e bravura, quedando-se pelo conformismo e resignação.

Um povo fragilizado, que se deixa facilmente usar e manipular em abono de figurões, que andam famintos por assumirem o papel de cabeças de cartaz, vestindo a pele de salvadores da Pátria.

Greves mais greves, direitos mais direitos dos trabalhadores, só nunca ouvi foi falar dos deveres dos mesmos.

Sim, porque os que revindicam direitos também devem cumprir com as suas obrigações e responsabilidades.

O desnorte que se vive é obsceno e perigoso, e penaliza o mesmo povo, por quem estes personagens gritam.

Os sindicatos, apregoam aos sete ventos, o nome dos trabalhadores, e os direitos, dando ênfase a um protagonismo bacoco e jacobino.

Será que a promiscuidade política que move estes pirómanos, esgotou o bom senso e a razoabilidade?

Meus senhores, tenham vergonha, e optem por serem agentes de moderação e concórdia, em vez de instigarem a este alarido social que estão a provocar e onde todos saímos prejudicados.

 

DIOGO_MAR

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

DIA MUNDIAL DA RÁDIO


 
Olá rádio!

Aprendi tanto contigo, vivi dos melhores momentos da minha vida ao teu lado.

Foste um desafio constante ao melhor de mim.

Fazer rádio, é um desafio a nossa imaginação e criatividade, é o darmos o melhor da nossa essência.

Fizeste-me ser companhia na solidão de muita gente, a mensagem amiga que levava voluntariamente ao domicílio, enriqueceu-me como ser humano.

Fui emissor e receptor de emoções a que dei corpo.

A tua magia é inigualável, o teu puder faz de ti um veículo de comunicação singular, ao qual muito me orgulho de ter pertencido.

Levaste-me por aí, nas tuas asas de imaginação, onde deixei a minha marca.

És incontornavelmente uma sempre estranha e bela amante, por quem estarei incondicionalmente sempre apaixonado. É como uma só alma a habitar em dois corpos.

OBRIGADA MINHA QUERIDA RÁDIO

 

Partilho convosco o primeiro disco em vinil que coloquei a tocar:

 

Berlin - Take My Breath Away

 


 

DIOGO_MAR

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

DESABAFO


 
Salgo os dias no convés da vida há deriva, por marés e monções neste meu peito marinheiro, aproado de desejos náufragos.

Solto as amarras do prazer, na quilha do amor.

As palavras são farpas incandescentes transformadas em dores lânguidas de saudade.

Perdi o norte!

Procuro desesperadamente resgatar a bússola do meu viver, que transportas nos teus olhos, amarando no teu corpo, guardião de todos os prazeres.

 

DIOGO_MAR